Algo que sempre chamou minha atenção foi notar ou ouvir pessoas que conhecem várias cidades do Brasil e até do mundo, sempre tem uma opinião super favorável de Curitiba. Mesmo passado todos estes anos desde que Curitiba realmente tinha um jeito diferente das outras capitais brasileiras.
A esta altura creio que alguns fatores são inegáveis para destacar Curitiba, tais como:
- a fama de cidade mais evoluída ou mais preocupada com o bem estar do cidadão;
- uma preocupação razoável com a limpeza das ruas e locais públicos em geral;
- o famoso sistema de transporte coletivo;
e provavelmente muitos outros, que pessoas com maiores qualificações, podem indicar, tanto no que se refere a percepção das pessoas (nem sempre vinculada a uma situação real); ao que a Mídia em geral propaga e situações de fato que corroboram - no todo ou em parte - os dois casos acima.
Mas tem uma situação mais prosaica que eu acho que tem um impacto forte nos visitantes. Me refiro ao centro da cidade, especialmente o trecho entre Santos Andrade e Osório.
Como normalmente os turistas acabam passeando por ali, tomando um chopp, tomando um café, contemplando as flores bem cuidadas, vendo o bonde para crianças e até se hospedando em algum hotel nas imediações, é inevitável que isto causa boa impressão. Ao comparar esta região com a área central de outras capitais, acho que Curitiba realmente leva a melhor, ou pelo menos fica como um dos centros de cidade (capital ou cidade com mais de 1 milhão de habitantes) mais agradáveis que existem.
Pois bem, um sábado destes, pelas 18:30 da tarde, já escuro, pois estamos no inverno, dia acabando mais cedo, ainda mais que era um inicio de noite meio chuvoso, deixando tudo ainda mais escuro.
Enfim, parei o carro um pouco afastado do centro (na Augusto Stresser, logo após o viaduto da Muricy) e desci até a Boca Maldita.
Fiquei impressionado com o "ambiente" que encontrei. Gente que dorme na rua ajeitando seus colchões em tudo que é canto, pessoal meio a toa andando em grupos, alguns num canto cheirando alguma coisa num pacote e para coroar, na porta de uma grande loja, um cara armado ameaçando todo o mundo. Por sorte esta loja tem entrada (no caso, saída) por duas ruas, então quem estava lá dentro foi dando um jeito de se mandar pela outra saida. Pobre dos funcionários que não podem escapar tão facilmente.
Enfim, a soma de tudo isto me deu uma impressão muito estranha. De que estava em outro lugar ou então de que aquele lugar não era para mim.
Não quero aqui culpar uma administração especifica. Acho que a questão vai mais além, pois na verdade os próprios habitantes deixam de frequentar o local que passa a ser então território de quem prefere este tipo de local ou é obrigado pela contingencia da vida a estar ou passar por ali. Naturalmente que seguidas administrações publicas que por omissão ou ação errada, ajam na mesma direção e a situação então rapidamente fica assim.
Por ai se diz que a cidade precisa ficar de um jeito onde os habitantes possam usufruir dela, se sentir parte dela.
Naquele local, naquela hora, achei que pelo menos para mim e para muita gente mais, aquele não era um local para ser usufruido ou fazer parte.